Insights · Ensaio
Por que tecnologia brasileira, por que agora
Uma pergunta que merece resposta honesta
Toda conversa sobre investir no Brasil chega, cedo ou tarde, à mesma pergunta: por que aqui? A resposta preguiçosa fala de tamanho e de potencial. A resposta honesta é mais interessante — e mais útil para quem constrói ou financia empresas de tecnologia no país.
Não acredito em um “momento certo” para o Brasil, no sentido que o mercado costuma dar à expressão. Ciclos vêm e vão, o câmbio oscila, o humor dos investidores muda. O que defendo aqui é outra coisa: um conjunto de condições estruturais que fazem do país um lugar sério para construir tecnologia, e que não dependem de acertar o próximo trimestre. O “agora” do título se refere a essas condições, que hoje existem ao mesmo tempo — não a uma aposta sobre o ciclo.
Mercados grandes e mal atendidos
O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes, uma economia diversificada e setores inteiros em que o atendimento ao cliente ainda é caro, lento ou simplesmente inexistente. Crédito para pequenas empresas, seguros, saúde, logística, serviços para o agronegócio, a relação do cidadão com o Estado. Em cada um deles há fricção que a tecnologia sabe reduzir.
Para quem empreende, fricção é matéria-prima. Onde o incumbente cobra caro porque pode, ou atende mal porque ninguém o desafia, uma empresa bem desenhada encontra espaço. Isso não garante que ela vá vencer. Significa que o problema que resolve é real e que alguém está disposto a pagar pela solução.
Há também uma vantagem menos óbvia: problemas brasileiros costumam ser difíceis de resolver de fora. Tributação complexa, informalidade, dimensões continentais e regras próprias fazem com que soluções importadas prontas raramente funcionem. Quem resolve o problema daqui, para quem está aqui, constrói algo que não se copia com facilidade.
Infraestrutura pública que virou plataforma
Nos últimos anos, o Brasil fez algo que poucos países fizeram com a mesma ambição: tratou parte da infraestrutura financeira como bem público. O Pix, criado pelo Banco Central, tornou o pagamento instantâneo parte do cotidiano de pessoas e empresas de todos os tamanhos. O open finance abriu caminho para que dados financeiros circulem, com o consentimento do cliente, entre instituições que antes os guardavam para si.
Para quem constrói tecnologia, isso muda o ponto de partida. Funções que antes exigiam acordos bilaterais, anos de integração e escala de grande banco passaram a estar disponíveis como trilho comum. Uma empresa nova pode concentrar energia no que a diferencia, em vez de reconstruir o encanamento. É uma das razões pelas quais olhamos com atenção especial para fintech.
Inovação regulatória não é garantia de nada. Regras mudam, e o que um regulador abre, outro pode estreitar. Mas a direção recente mostra um Estado disposto a usar a regulação para ampliar a competição — e isso, para quem empreende, é terreno fértil.
Talento que deixou de ser exceção
O Brasil formou, ao longo das últimas décadas, uma geração de engenheiros, gestores de produto e executivos que passaram por empresas de tecnologia em escala, aqui e no exterior. Muitos voltaram. Muitos fundaram as próprias empresas. As novas gerações de fundadores começam com redes, referências e cicatrizes que as primeiras não tinham.
Talento, claro, também é disputado. Bons times custam caro e trocam de empresa. Mas a pergunta deixou de ser “existe gente capaz de construir isso no Brasil?”. Passou a ser como atrair e reter essa gente — um problema de gestão, não de escassez estrutural.
Capital escasso, estrutura valiosa
Onde o capital é escasso, a estrutura deixa de ser detalhe e passa a ser vantagem.
É este o ponto que mais nos interessa. Com juros historicamente altos, o capital de risco no Brasil sempre disputou espaço com alternativas confortáveis de renda fixa. O resultado é um ecossistema com menos capital do que boas ideias, em que o capital disponível tende a ser seletivo — e avesso a riscos que não consegue medir.
Isso tem dois lados. Para o fundador, cada rodada exige mais preparo. Para o investidor disciplinado, a qualidade da estrutura pesa mais do que pesaria em um mercado inundado de dinheiro. Direitos bem desenhados, governança que funciona, capital liberado por marcos e caminhos de saída pensados desde o início deixam de ser formalidade.
É aí que concentramos nosso trabalho. Buscamos apoiar empresas brasileiras de tecnologia em estágio inicial com uma estrutura que torne visível o risco que permanece e que preserve o alinhamento entre fundador e investidor quando as coisas não saem como planejado. Como escrevemos em Risco não é incerteza, o objetivo não é eliminar o risco. É torná-lo legível.
Nada disso garante resultado. Venture capital no Brasil envolve riscos relevantes — de execução, de mercado, de liquidez, macroeconômicos — e muitas empresas em estágio inicial não chegam aonde pretendem. O que defendemos é mais modesto e, acreditamos, mais durável: as condições para construir tecnologia relevante no Brasil estão dadas, e quem traz estrutura a esse ambiente tem um papel claro a cumprir.
Para conhecer a tese aplicada em nossos fundos, veja Venture Capital. Se você é fundador, veja como trabalhamos com empreendedores.
Os mecanismos de estruturação descritos refletem a disciplina de investimento buscada pela Trivèlla e não eliminam riscos. Investimentos em participações e em venture capital envolvem riscos relevantes, incluindo baixa liquidez, longo prazo de maturação, concentração e possibilidade de perda parcial ou total do capital investido. Não há garantia de resultado.
Este material tem caráter exclusivamente informativo e não constitui oferta ou recomendação de investimento.
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Investidores
Fundos de venture capital construídos sobre estrutura.
Fundos destinados a investidores qualificados (Resolução CVM nº 30). Informações restritas a investidores com acesso individual.
Empreendedores
Primeiro a prova. Depois o capital.
A Prova de Valor é o nosso processo gratuito para empreendedores de tecnologia em estágio inicial: identificamos a restrição que trava o valor e testamos se ela pode ser removida.
Empresas
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